O deputado estadual Carlos Lula (PSB) denunciou, nesta terça-feira (24), na tribuna da Assembleia Legislativa do Maranhão, uma série de problemas na rede pública de saúde do estado, envolvendo falta de insumos para exames, falhas estruturais em unidades hospitalares e episódios de insegurança dentro de hospitais. O parlamentar cobrou medidas urgentes da Secretaria de Estado da Saúde e da Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares (EMSERH).
Durante o pronunciamento, o deputado destacou que as denúncias apresentadas têm como base relatos de pacientes e familiares que enfrentam dificuldades no acesso ao atendimento, especialmente em casos que exigem diagnóstico e tratamento contínuos.
Entre os problemas apontados está a falta de contraste para exames de tomografia, registrada desde o mês de janeiro. Carlos Lula citou o caso de Vânia Nascimento, cuja irmã, paciente oncológica, não conseguiu realizar o exame após sucessivas tentativas.
“As pessoas saem do interior, muitas vezes sem condições financeiras, chegam às unidades e são informadas de que não há insumo. E retornam para casa sem atendimento”, afirmou.
Segundo o parlamentar, a interrupção de exames compromete diretamente diagnósticos e tratamentos, com impacto potencial sobre a evolução de doenças graves, como o câncer. “Quando o exame não acontece, não é apenas um procedimento que deixa de ser feito. É o cuidado com a vida que é interrompido”, ressaltou.
O deputado também mencionou outros relatos, como o de Adriano Assunção, que aponta que pacientes com metástase têm sido orientados a retornar para casa mesmo em situações críticas, e o de Nina Cardoso, que precisou sair do Maranhão para acessar tratamento adequado. “Quando alguém precisa sair do estado para sobreviver, isso não é escolha. É falha do sistema”, declarou.
Além das dificuldades assistenciais, Carlos Lula chamou atenção para a insegurança dentro das próprias unidades de saúde. Ele citou o assalto ocorrido na última semana em um hospital no município de Timon, classificando o episódio como grave e sintomático.
“Pacientes, acompanhantes e profissionais foram expostos à violência dentro de um espaço que deveria ser de proteção. Quando o cidadão não encontra segurança nem dentro de um hospital, o Estado falhou no básico”, afirmou.
Outro ponto destacado foi a situação do Hospital de Cuidados Intensivos (HCI), em São Luís. A unidade, implantada durante a pandemia da Covid-19 e que chegou a contar com mais de 170 leitos, foi apontada como símbolo da capacidade de resposta do sistema de saúde naquele período.
No entanto, segundo o parlamentar, relatos recentes indicam deterioração da estrutura física, com infiltrações e necessidade de manutenção urgente.
“O HCI foi fundamental para salvar vidas em um dos momentos mais críticos da nossa história. Mas equipamentos públicos não podem ser tratados como estruturas descartáveis. É preciso preservar o que foi construído”, disse.
Ao final do discurso, Carlos Lula fez um apelo para que a Secretaria de Estado da Saúde e a EMSERH adotem providências imediatas para a recuperação das unidades citadas, incluindo o Hospital de Câncer do Maranhão, além de garantir o abastecimento de insumos e melhores condições de atendimento.
“Denunciar não substitui a gestão, mas o silêncio nunca resolveu nada. Denunciar é dever. É dar voz a quem não tem esse espaço”, concluiu.
