O deputado estadual Carlos Lula (PSB) denunciou a exclusão da maioria dos blocos alternativos de rua da programação oficial do Carnaval do Maranhão, alertando para o risco de apagamento de manifestações culturais históricas e comunitárias. A denúncia foi feita por meio de vídeo divulgado nas redes sociais do parlamentar nesta semana.
Segundo Carlos Lula, desde 2024 cerca de 92% dos blocos alternativos ficaram fora do calendário oficial do Carnaval, enquanto apenas um grupo restrito, estimado em 7%, recebeu algum tipo de apoio financeiro do Governo do Estado. De acordo com o deputado, representantes dos blocos buscaram diálogo com a Secretaria de Estado da Cultura ao longo de 2024 e 2025, sem retorno efetivo.
Para o parlamentar, a exclusão tem sido acompanhada de uma rotulação política indevida das manifestações culturais. “São pessoas que fazem cultura, não política partidária. Esses blocos estão acima dessa disputa. Não faz sentido tratá-los como oposição apenas porque denunciam a exclusão que sofrem”, afirmou.
Carlos Lula destacou que os blocos alternativos desempenham papel central na preservação do carnaval tradicional maranhense, realizado nas comunidades, com marchinhas e apresentações de rua, próximas da população. “O Carnaval do Maranhão não pode se resumir a grandes atrações nacionais. Ele nasce nos bairros, nos territórios, no chão da cidade”, ressaltou.
Como resposta concreta à situação, o deputado anunciou a destinação de R$ 500 mil em emendas parlamentares para viabilizar a contratação dos blocos excluídos pela Secretaria de Estado da Cultura. Segundo ele, os recursos já estão disponíveis para garantir as apresentações durante o período carnavalesco.
“Não se trata apenas de festa. Trata-se de cultura, identidade, renda e pertencimento. Estou colocando parte das minhas emendas à disposição para que esses blocos tradicionais não sejam silenciados”, declarou.
Ao final, Carlos Lula fez um apelo ao governador Carlos Brandão e ao secretário de Cultura, Yuri Arruda, para que o Estado assuma o compromisso de preservar as manifestações populares que formam a base do Carnaval maranhense. “Esse é o Carnaval autêntico do Maranhão e ele precisa ser protegido”, concluiu.
