O deputado estadual Carlos Lula fez um discurso contundente nesta quarta-feira (27), na Assembleia Legislativa, denunciando a escalada da violência contra motoristas e entregadores de aplicativo no Maranhão. A categoria realiza protestos desde terça-feira (26), após a morte brutal de Franklin César, encontrado enterrado em cova rasa na região do Bequimão, em São Luís. Nos últimos meses, pelo menos seis trabalhadores foram assassinados em diferentes cidades do estado.
“Trabalhar não pode ser sentença de morte. Isso é um pedido de socorro coletivo, é o retrato de uma política de segurança que falhou. Franklin não é estatística, Franklin tinha rosto, afeto, rotas salvas no celular e gente esperando por ele em casa”, afirmou Carlos Lula, em solidariedade aos familiares e colegas de profissão das vítimas.
Números alarmantes da violência no Maranhão
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Maranhão registrou em 2024 o maior aumento proporcional de mortes violentas intencionais do país, com alta de 12,1% em relação a 2023. Foram 2.129 mortes violentas em um único ano, elevando o estado do 12º para o 6º lugar no ranking nacional da violência.
Entre 2014 e 2022, houve uma redução de 14,47% nesse indicador. Já entre 2022 e 2024, o índice subiu 11,76%, revelando um retrocesso sob a atual gestão. De janeiro a julho de 2025, o Maranhão contabilizou 1.003 homicídios, colocando o estado entre os sete mais violentos do Brasil. Em São Luís, os homicídios cresceram 40%, e os latrocínios, 33,33%, em relação a 2024.
“Isso não é narrativa, é dado público. A curva virou para cima, e virou sob a gestão do atual governo. Quando a curva sobe, alguém perdeu o volante”, destacou Carlos Lula.
Medidas propostas
O deputado cobrou do governador Carlos Brandão ações urgentes e estruturadas, entre elas:
- Instalação de um Gabinete de Crise para acompanhar diariamente os homicídios e latrocínios na Grande Ilha;
- Operação Rotas Seguras para motoristas e entregadores de aplicativo, com patrulhamento motorizado, pontos de apoio monitorados e rotas mapeadas;
- Criação do Protocolo Franklin César, com botão de pânico integrado ao Centro Integrado de Comando e Controle (CICC/SSP) e resposta rápida em casos de emergência;
- Força-tarefa de investigação para elucidar crimes serializados contra trabalhadores de aplicativo e combater quadrilhas de roubos de veículos;
- Integração obrigatória das plataformas com a Secretaria de Segurança Pública, para compartilhamento de dados de risco e bloqueio de contas usadas em crimes.
Vozes da categoria
Durante o protesto em frente à Assembleia Legislativa, trabalhadores relataram a rotina de medo.
“A gente não trabalha em paz, além dos casos de morte que são os que mais ganham repercussão, os assaltos são diários. Nós não podemos entrar em qualquer bairro, estamos sempre trabalhando com muito medo”, contou o motorista de aplicativo Yuri Santos.
Já Fábio Júnior, com dois anos de profissão, conta que o sentimento de insegurança reduz até a carga horária de trabalho. “Além de nos roubar, agora ainda levam para cativeiro, para humilhar, torturar e matar. Tem motorista que só roda até 17h porque tem medo de não voltar para casa”, relatou.